Na história da Psicologia, foi a Psicanálise a primeira vertente a abordar os aspectos psicossomáticos de distúrbios psíquicos. No entanto, após algum tempo de atuação, mesmo alguns discípulos de Freud começaram a questionar o fato de que o conhecimento racional das razões ou motivos pra que tais manifestações e sintomas físicos existissem, não faziam com que eles desaparecessem, ou ainda, que as desordens psíquicas de fato abrandassem.
Foi aí que Reich decidiu ir mais a fundo, trazendo a noção de que os padrões psíquicos aparecem em nosso corpo através de nossa postura e até mesmo de nosso biotipo. Para ele, nossas dores, prazeres, tristezas, alegrias, ficam registradas em nosso corpo; o corpo responde às emoções.
Ainda segundo a proposta de Reich, para sentir menos dor e sofre menos no passado, o indivíduo acaba dessensibilizando-se (suas emoções e seu corpo), mas pra isso, faz uso de um mecanismo que não encontra, posteriormente, senso de discriminação. Ou seja, ao se dessensibilizar para se proteger da dor, acaba dessensibilizando-se para tudo, diminuindo inclusive a capacidade do organismo para sentir prazer.
Em Gestalt-terapia, a doença pode ser entendida como um sentimento de desconexão em relação ao corpo e ao mundo. Pelo fato de o nosso corpo ser uma manifestação viva do aqui-e-agora (momento presente), trabalhá-lo de forma consciente, atentando para as mensagens que ele nos fornece e escutando-o de fato, é trabalhar de forma integral. Toda mudança operada em qualquer um dos campos da pessoa - social, psicológico e/ou corporal - influi nos outros campos, por se tratar de um todo.Tudo que envolve o ser humano influencia seu comportamento, adoecimento, felicidade.
Dessa forma, pra um trabalho completo, eficaz, é necessário que o processo psicoterapêutico saia de seu "lugar comum" e trabalhe não somente com a "mente" e os aspectos "racionais", mas com e através do corpo, visto que somos um corpo, é com e através dele que nos manifestamos no mundo, que expressamos nossas emoções e sentimentos.


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